quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Como assim? Carne produzida em laboratório???Sim, gente pode acreditar, ela existe!

Mesmo que você seja vegetariano, deve concordar que o consumo de carne faz parte da história humana, certo? Rica em proteínas, a carne é uma excelente fonte de energia, e possui grande importância na promoção de crescimento em mamíferos, como a espécie humana.
A recente diminuição no preço de produtos derivados de animais tem resultado em um rápido crescimento no consumo, e até 2030 espera-se que uma pessoa consuma, em media, 45 quilos de carne por ano!
Infelizmente, um maior consumo de carne implica em maiores danos ambientais, dentre eles um aumento no consumo de água e no desmatamento. Além disso, grande quantidade dos alimentos vegetais - que poderiam ser utilizados para consumo humano -  são utilizados como componentes de rações. Cerca de um terço da produção mundial de gramíneas, por exemplo, é utilizada para alimentação de gado de corte. Por fim, diversas questões éticas estão envolvidas, como a qualidade de vida dos animais.
O primeiro hambúrguer feito com carne produzida em laboratório foi apresentado em 2013, por um grupo de pesquisadores europeus. Foto: Toby Melville.
Em busca de uma forma de produção mais ambientalmente saudável, diversos grupos de cientistas estão pesquisando a produção de carne animal em laboratório, a partir de culturas celulares. Como todo novo produto tecnológico, a carne produzida em laboratório foi divulgada inicialmente com um preço de U$ 300 mil por hambúrguer!
Além do valor absurdo, especialistas que provaram o alimento o acharam seco e sem sabor, deixando os possíveis consumidores bastantes desanimados em relação ao produto. Porém, este ano, o mesmo grupo de pesquisa divulgou novas (e animadoras) informações sobre a carne de laboratório.
Técnicas em biologia molecular e tecnologias com células tronco permitiram que a carne fosse produzida ao preço de U$ 11 por hambúrguer, ou cerca de U$ 70 por quilo, um valor muito mais razoável.
Além disso, o sabor da carne está cada vez mais parecido com o de uma carne produzida naturalmente, com estudos focando na adição de gordura e ferro às fibras musculares. Os novos modelos têm se mostrado tão promissores, que a equipe acredita que o produto esteja pronto para a comercialização em no máximo cinco anos!
O professor Mark Post lidera um grupo de pesquisadores em busca da redução dos custos e do melhoramento do sabor da carne artificial. Foto: David Parry.
Além de reduzir o sofrimento de milhões de animais que seriam abatidos a cada ano, a produção de carne em laboratório utiliza 45% menos energia, emite 96% menos gases e utiliza 99% menos espaço físico do que a produção tradicional. Mas como é o processo de produção?
Resumidamente, o processo tem início com a extração de células tronco de tecido muscular bovino. Este é o único momento em que ainda se tem contato com os animais. No laboratório, estas células serão cultivadas com meios químicos que induzem sua diferenciação em células fibrosas. A união destas células e a adição de gordura, ferro e demais elementos irá culminar na proteína propriamente dita, ou seja, a carne.
Além desta equipe, localizada na Universidade Maastricht, nos Países Baixos, diversos outros pesquisadores estão tentando melhorar as técnicas para produção de carne artificial. Em Israel, pesquisadores estão focando na produção de carne artificial de frango, por exemplo. A produção de peixes também tem sido bastante pesquisada.
Resta torcer para que novas tecnologias contribuam para que estas pesquisas continuem apresentando bons resultados! Quem sabe, no futuro, nós seremos capazes de comer carne sabendo que pouco sofrimento, e pouca poluição, foram gerados durante o processo produtivo!